segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Preciso ver-te




Preciso ver-te

como Pégaso que busca o sol,
ainda que tua proximidade me derreta,
pois talvez seja este o meu destino.

Preciso ver-te,

ou serei viajante sem bússola,
carcereiro de mim mesmo,
cego sem horizontes nem auroras.

Preciso ver-te

para que possa encontrar algum sentido
nas coisas e seres que me rodeiam
e que falam de ti como miragem.

Preciso ver-te.

Barco na tempestade, nada temerei
se tu, meu farol intermitente,
me guiares com teu código de luz.

Porque só sei amar às claras,
não vou contentar-me com o obscuro.
O vulto imaginado, sem essência,
acaba se desvanecendo e cria um vazio,
somatório de muitos nadas.

Por tudo isso, preciso ver-te e provar-te,
saber-te real, vívido, palpável,
como também o é o meu amor, que ingeres,
escondido, em tua mesa de silêncio.

Por que tardas,
se tanto sabes que preciso ver-te?"

Solange Rech

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