quarta-feira, 30 de dezembro de 2009




In: Tela natural

Assim ficam as casas depois que ela chega
luz acesa . O medo some, o lampião ilumina o telhado
os dias são claros , com matizes
nas paisagens.
O roseiral perfuma o vale. No vento, cheiro
de dama-da noite, que faz lembrar alguem.
As cachoeiras descem em ritmo festivo
os parques repletos de crianças.
Arvoredos de uma tela natural.
E assim fica aquele povoado
em volta da mesa
... quando ela chega.

Há de ficar para sempre aqui!

Soraya Ribeiro - het. MR - da peça : "Essa tal felicidade"

domingo, 27 de dezembro de 2009

Sempre



Estrela de um Céu sem nuvens dentro da escuridão
Vida que se prolonga nos anos que se vão.
Face de tantas idas e voltas.
 E o mundo gira ,caminhos se perdem
e se encontram no final das contas,
 as malas já estão prontas.

 Na sala o abajour neon transborda o ambiente
de amor aguardando viagem.
Voz embargada , sem graça onde tudo recomeça...
 tua presença se faz.


Aila Silvia - het. MR

da peça:Memórias de um amor

terça-feira, 22 de dezembro de 2009



Eternidade- In: amor em forma de oração


Primeiro encontro tantas rosas ...vermelha, amarela rosa,rosa.
Tantos sonhos enquanto todos dormiam o dia resplandescia
em nós. As vezes o destino se confunde será que almas gêmeas
podem viver separadas? Amor completo de sintonias,
sincronismo perfeito aquele que arrebenta o peito de emoção
e sobrevive até hoje... Não temos pressa...nesta imensidão,
outras esferas,outros caminhos outras vidas, quem sabe?


Aila Silvia / Mariana Coutinho - teatro

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O ser.



In : O ser

Diferentes, gente...soltos, fechados calados...mas ... gente!
Gente, flash em todas, aparece se expõe, nem vê o que se
passa, quando tudo perde a graça.Gente, casulo dentro de
casa, sem asas guarda segredos, esconde prazeres,
dizeres atrás do palco. Gente, feliz no que diz, as vezes
contradiz o texto da peça mesmo assim, diz! Gente,
pequena grande coração , na escuridão permance, pois seu
brilho vive dentro de uma prece.

Gente, grande infeliz ,
o mundo o amedronta atrás da fantasia que usa de noite
e de dia até que encontre a estrada...

Quem sabe, algum dia!


parte da peça - In: O ser


Nárnia W.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Hoje ela acordou daquele encanto!



Hoje ela acordou daquele encanto!

Guardou por um momento Imagens no pensamento,
brincou de ser feliz...Jogou borboletas no vestido, florido
de Dálias e Angelicas perfumadas. Juntou pedaços do coração
e desenhou imagens nas nuvens...
Quando ele abriu a janela do peito surgiu lá no alto um
castelo encantado...cenário de rendas e brocado desbotado...
onde dois personagens ainda permanecem a espera do
segundo ato do novo espetáculo!
Scarllet Moon- in teatro

sábado, 5 de dezembro de 2009

Qual o caminho daquele olhar?



Eu posso até seguir aquela trilha 
mesmo sem saber onde ela termina.
 Não me importo com o gelo dos pomares, 
sempre há frutas tão suculentas. 

Se tudo que escrevo vingasse eu já
estaria aí, num pacto de tantas 
divergências e metamorfoses
entre folhas secas...

Esconderijo , emboscada...turbilhão
de sentimentos.
Perdi-me ! Aquela trilha, 
será que é o caminho certo?

Por certo há pontes, despenhadeiros,
 vielas, ruas sem saída,
mas minha única saída
é seguí-la na escuridão.

Pois no final há um clarão!

Françoise Acace - het. MR

╰☆Ăf൯♥dite☆╮

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

In teu olhar


In Teu olhar

Sempre planto orquídeas na primavera, estação suprema
de belezas tantas ,sorriso breve de uma estação.
Cuido , rego as coloco no seu lugar.Vivas cores alegram a sala,
num toque sutil, naquele canto antes sombrio... doces momentos
de recomeço. Nos olhos do moço a cobiça ele nem me vê,
só as flores... quem dera ser aquela orquídea no canto da sala,
sentiria seu olhar, passageiro, mas naquele instante, meu.

Ainda me visto de Orquídeas!

Françoise Acace

╰☆Ăf൯♥dite☆╮

domingo, 29 de novembro de 2009

Odes de Ricardo Reis


Odes de Ricardo Reis

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
nem invejas que dão movimento demais aos olhos, nem
cuidados, porque se os tivesseo rio sempre correria, e
sempre iria ter ao mar. Amemo-nos tranquilamente,
pensando que podiamos, se quiséssemos, trocar beijos e
abraços e carícias, mas que mais vale estarmos sentados
ao pé um do outro ouvindo correr o rio e vendo-o. . E se
antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio, eu
nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti. Ser-me-ás suave
à memória lembrando-te assim - à beira-rio, pagã triste e
com flores no regaço.
╰☆Ăf൯♥dite☆╮

sábado, 28 de novembro de 2009

Tabacaria

In fragmento


Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! génio?
Neste momento cem mil cérebros se concebem em
sonho genios como eu, e a história não marcará, quem
sabe?, nem um, nem haverá senão estrume de tantas
conquistas futuras. Não, não creio em mim.Em todos
os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou
menos certo? Quantas aspirações altas e nobres e
lúcidas -sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas
e quem sabe se realizáveis, nunca verão a luz do sol
real nem acharão ouvidos de gente? O mundo é para
quem nasce para o conquistar.
Álvaro de Campos
╰☆Ăf൯♥dite☆╮

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O guardador de rebanhos


  • In Meu espelho

    O Guardador de Rebanhos

    Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse.
    Minha alma é como um pastor, conhece o vento e o sol.
    E anda pela mão das Estações A seguir e a olhar.
    Toda a paz da natureza sem gente, vem sentar-se a meu lado.
    Mas eu fico triste como um pôr de sol, para a nossa imaginação,
    quando esfria no fundo da planície e se sente a noite entrada,
    como uma borboleta pela janela.
    Mas a minha tristeza é sossego, porque é natural e justa,
    e é o que deve estar na alma, quando já pensa que existe
    e as mãos colhem flores sem dar por isso.

Alberto Caeiro- (Um dos muitos heterônimos de Fernando pessoa)

╰☆Ăf൯♥dite☆╮

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mil almas eu tenho



 Mil almas eu tenho mil faces...
 sou flexível uso vários disfarces
Rainha do Egito, senhora de engenho,
Amélia, Dolores, de amores sofridos.

Colombina , menina, Julieta de um
amor proibido, meu castigo se embrenha
no tempo, no espaço.

Nos teus braços sou mulher
sou tudo o que você quer.
 No meu quarto vazio, despida...
sofro a dor de um grande amor
de uma peça qualquer do meu teatro

cujo ato perdi no passado!

Stela Mary - (meu teatro) het. MR
╰☆Ăf൯♥dite☆╮

In outra dimensão


In outra dimensão

Muita luz entra banhando toda sala, num canto a mesa
de tantos e tantos enredos. Na mão a pena desliza firme
sobre o papel e nasce uma nova história.
Alguem se aproxima e ao cumprimentá-lo roça teu rosto
suavente. Desculpa! com voz rouca tremida,
soa frente a frente. Um sorriso lindo faz atravessar toda
eternidade num instante.
Aquele sonho se estende por todo dia em flash na mémória
cansada...
viagem tão real para outra dimensão,

Sim, só podia ser!

Stela Mary – (segundo ato)
╰☆Ăf൯♥dite☆╮

domingo, 22 de novembro de 2009

In escada


In Escada

Subo cada degrau da escada descortinando um
novo momento...Tem dias que invento chuvas,
noutros Sol e até furacão depende do coração.
Em certos momentos mudo de tom... vermelho
amarelo e até magenta linda cor para os meus
olhos, que Andavam tristes, pois eles nem se
davam conta que você existe, e vale cada
momento ao teu lado, mas peço que tenha todo
cuidado pois esta mulher sonhadora, só quer ser
feliz ao teu lado e precisa da tua mão, para subir
todas as escadas.


Lia Donna

╰☆Ăf൯♥dite☆╮

In névoa.



In névoa

Atrás da neblina tem uma porta, que só abre por dentro,
o mundo pouco importa deixei a chave cair no penhasco
e você está aqui esta noite.Não faz mais frio n'alma
teu corpo é tão quente e me ama tua voz macia enche os
meus olhos de brilho.Tuas mãos dedilham meu rosto,
meu corpo, como se fossem cordas de uma arpa cuja
melodia existe no céu.Quem vai querer abrir a porta
esta noite? há tempestade lá fora!
Lia Donna -
( trechos da peça, eu tenho um amor)
╰☆Ăf൯♥dite☆╮

Ele viria

Ele viria

ele viria com boca e mão incríveis tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero e só vejo
dois caminhos:ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro o que não for natural
como sangue e veias descubro que estou
chorando todo dia, os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que ele vem, de que
modo vou chegar ao balcão sem juventude? A lua,
os gerânios e ele serão os mesmos só a mulher
entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
(Adélia Prado)

In Mulher no palco!


In Mulher no palco


O mundo filtra-se pelos ouvidos de quem, como eu,
só vê a própria noite: meus olhos pegam sons com
gestos falhos,a máscara que vesti
não tinha frestas.
Sons como peixes nesta sombra eterna chegam
e nadam, giram, se entrechocam,em desenhos de
luz que não entendo.Abro meu coração,
ouvido inquieto,
em busca de algum tom definitivo que abra em
claridade estes meus olhos e me lance
desta ilha ao mar aberto.


Lya Luft

╰☆Ăf൯♥dite☆╮